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Losartana apresenta efeitos renoprotetores em modelo experimental de doença renal diabética subclínica

inatecinct
17 de set.
3 min de leitura

Uma pesquisa desenvolvida em modelo experimental de diabetes mellitus tipo 1 investigou os mecanismos envolvidos na lesão tubulointersticial e na fibrose renal associadas à proteinúria de origem tubular, destacando o potencial efeito renoprotetor da losartana, um bloqueador do receptor da angiotensina II.


O estudo, intitulado “Angiotensin receptor blocker ameliorates the development of tubulointerstitial injury and fibrosis associated with tubular proteinuria observed in subclinical diabetic kidney disease”, analisou a participação do sistema renina-angiotensina na progressão de alterações renais observadas na doença renal diabética subclínica (Subclinical Diabetic Kidney Disease – subDKD).


Doença renal diabética subclínica: uma condição que merece atenção


A doença renal diabética subclínica corresponde a uma fase da doença renal associada ao diabetes mellitus em que alterações renais podem ocorrer mesmo na ausência de sinais clínicos evidentes de comprometimento da função glomerular.


Nesse contexto, a hiperglicemia pode contribuir para alterações no compartimento tubulointersticial dos rins, incluindo prejuízos na reabsorção de proteínas pelos túbulos renais, o que pode resultar em proteinúria de origem tubular e lesão das células epiteliais tubulares.


Embora os bloqueadores dos receptores da angiotensina II, como a losartana, sejam conhecidos por seus efeitos sobre a proteinúria em diferentes doenças renais, os mecanismos relacionados à sua atuação na doença renal diabética subclínica ainda demandam investigação.


Estudo experimental avalia os efeitos da losartana


Para investigar o potencial efeito renoprotetor do bloqueio do receptor AT1 da angiotensina II, os pesquisadores desenvolveram um modelo experimental de diabetes mellitus tipo 1 induzido por estreptozotocina (STZ) em ratos Wistar machos, com níveis preservados da taxa de filtração glomerular.


Os animais foram distribuídos em quatro grupos experimentais:

  • CONT: ratos normoglicêmicos.

  • ARB: ratos normoglicêmicos tratados com losartana.

  • subDKD: ratos diabéticos.

  • subDKD + ARB: ratos diabéticos tratados com losartana.


O tratamento com losartana foi realizado na dose de 30 mg/kg/dia, por gavagem, durante seis semanas consecutivas, após a indução do diabetes.


A investigação avaliou diferentes parâmetros relacionados à função tubular, à proteinúria, à lesão renal e ao desenvolvimento de fibrose tubulointersticial.


Principais resultados: redução de alterações tubulares e fibróticas

Em comparação com o grupo controle, os animais diabéticos do grupo subDKD apresentaram alterações em diferentes aspectos da função e da estrutura renal, incluindo:


  • Prejuízo na reabsorção tubular de sódio (Na⁺) e cloro (Cl⁻).

  • Proteinúria associada à disfunção da endocitose de albumina no córtex renal.

  • Aumento dos níveis urinários de lactato desidrogenase (LDH) e γ-glutamiltransferase (GGT), marcadores relacionados à lesão renal e das células epiteliais do túbulo proximal, respectivamente.

  • Aumento do escore de lesão renal e da lesão tubulointersticial.

  • Maior deposição de colágeno do tipo I no córtex renal, indicando alterações associadas ao processo fibrótico.


De acordo com os resultados do estudo, o tratamento com losartana atenuou todos os parâmetros alterados observados nos animais diabéticos, no grupo subDKD + ARB.

No grupo de animais normoglicêmicos tratados com losartana, não foram observadas alterações significativas nos parâmetros avaliados.


Bloqueio do receptor AT1 e proteção renal


Os achados sugerem que o bloqueio do receptor AT1 da angiotensina II pode exercer efeitos renoprotetores no modelo experimental estudado, atenuando a lesão tubular, a proteinúria de origem tubular e as alterações tubulointersticiais associadas à doença renal diabética subclínica.


Os resultados contribuem para a compreensão dos mecanismos envolvidos na lesão renal associada ao diabetes, especialmente em fases nas quais a função glomerular permanece preservada.


A pesquisa também destaca a relevância de investigar alterações tubulares e intersticiais como parte da fisiopatologia da doença renal diabética, ampliando o conhecimento sobre possíveis estratégias de proteção renal.


Importante: os resultados foram obtidos em um modelo experimental com animais e não estabelecem, isoladamente, a eficácia do tratamento com losartana em pacientes com doença renal diabética subclínica. Estudos clínicos são necessários para avaliar a aplicabilidade desses achados à prática médica.


Contribuição para a pesquisa em doenças crônicas


O estudo se insere no campo de investigação das doenças crônicas e dos mecanismos de lesão renal associados ao diabetes mellitus, contribuindo para o avanço do conhecimento sobre alterações tubulares, proteinúria e fibrose renal.


Pesquisas dessa natureza fortalecem a compreensão dos processos fisiopatológicos e podem apoiar a identificação de novas perspectivas para o desenvolvimento de estratégias de diagnóstico, prognóstico e tratamento das doenças renais.

O INATEC valoriza e apoia a produção de conhecimento científico voltado à compreensão das doenças crônicas e ao desenvolvimento de tecnologias e estratégias inovadoras para a saúde. Link: Angiotensin receptor blocker ameliorates the development of tubulointerstitial injury and fibrosis associated with tubular proteinuria observed in subclinical diabetic kidney disease - PubMed

 
 
 

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