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FDA aprova primeira terapia gênica para a síndrome de Sanfilippo tipo A

inatecinct
25 de set.
3 min de leitura

Fayuvi utiliza um vetor viral para fornecer uma cópia funcional do gene SGSH e restaurar a produção da enzima sulfamidase, representando um avanço no tratamento de uma doença genética rara e progressiva.


A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, aprovou, em 17 de setembro de 2026, o Fayuvi (rebisufligene etisparvovec-hopf), a primeira terapia gênica aprovada para o tratamento da mucopolissacaridose tipo IIIA (MPS IIIA), também conhecida como síndrome de Sanfilippo tipo A. A doença é uma condição genética rara, progressiva e neurodegenerativa que afeta principalmente o sistema nervoso central durante a infância.


A aprovação representa um avanço importante para pacientes e famílias que, até então, não dispunham de uma terapia gênica aprovada especificamente para essa doença. A indicação contempla pacientes pediátricos com manifestações neurológicas da MPS IIIA, de acordo com os critérios estabelecidos pela FDA.


Como funciona a terapia gênica?


A síndrome de Sanfilippo tipo A é causada por alterações no gene SGSH, responsável pela produção da enzima sulfamidase. Essa enzima participa da degradação do heparan sulfato nos lisossomos, estruturas celulares envolvidas na reciclagem de moléculas.


Quando a sulfamidase está ausente ou apresenta atividade insuficiente, ocorre o acúmulo progressivo de heparan sulfato, comprometendo o funcionamento celular e contribuindo para a deterioração neurológica característica da doença.


O Fayuvi utiliza um vetor viral adeno-associado do sorotipo 9 (AAV9) para transportar uma cópia funcional do gene SGSH às células. O objetivo é permitir a produção da enzima sulfamidase e favorecer a degradação do substrato acumulado, inclusive no sistema nervoso central.


Dessa forma, a estratégia não corrige diretamente a mutação original no DNA. Em vez disso, fornece uma cópia funcional do gene para recuperar a função enzimática comprometida.


Resultados clínicos e evidências de eficácia


A aprovação foi fundamentada em um estudo clínico multicêntrico, aberto e de braço único, no qual os resultados das crianças tratadas foram comparados com os de uma coorte histórica de pacientes não tratados.


Os resultados indicaram manutenção ou melhora da função cognitiva em crianças tratadas em fases iniciais da doença, em comparação com a evolução observada na coorte histórica. Esses achados contribuíram para fundamentar a decisão regulatória e apontam para o potencial da terapia em modificar a evolução clínica da síndrome.


Entretanto, os resultados devem ser interpretados considerando as características do estudo, que não contou com um grupo de controle contemporâneo randomizado. A magnitude e a durabilidade dos benefícios, assim como a resposta em diferentes estágios da doença, permanecem aspectos importantes para o acompanhamento clínico.


Segurança e acompanhamento a longo prazo


Apesar dos resultados promissores, a terapia exige monitoramento clínico cuidadoso. Entre as reações adversas estão alterações nas enzimas hepáticas, redução das contagens de plaquetas e leucócitos, febre, náuseas e vômitos.


Também existem riscos relevantes, incluindo microangiopatia trombótica e preocupações relacionadas aos efeitos de longo prazo da terapia gênica. Esses aspectos reforçam a necessidade de acompanhamento dos pacientes após a administração do tratamento.


Diagnóstico precoce e medicina de precisão


A aprovação do Fayuvi evidencia como o conhecimento dos mecanismos moleculares de uma doença pode orientar o desenvolvimento de intervenções terapêuticas direcionadas à sua causa biológica.


Na síndrome de Sanfilippo tipo A, a identificação da alteração genética permite compreender o defeito enzimático, estabelecer sua relação com o acúmulo de substrato e desenvolver uma estratégia para restaurar a função comprometida. Nesse contexto, o diagnóstico precoce é particularmente relevante para identificar pacientes elegíveis e possibilitar a avaliação clínica em fases iniciais da doença.


Para o INATEC, esse avanço ilustra a importância da integração entre genética, biologia molecular, desenvolvimento de tecnologias terapêuticas e pesquisa translacional. A aplicação desse conhecimento representa uma perspectiva importante para o tratamento de doenças raras, embora a disponibilidade da terapia e o acesso dos pacientes dependam de aspectos regulatórios e assistenciais específicos de cada país.

Referência: U.S. Food and Drug Administration (FDA). FDA Approves First Gene Therapy for Pediatric Patients with Sanfilippo Syndrome Type A. 17 set. 2026.



 
 
 

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